O mercado A mulher está num mercado pequeno, no Porto. Hoje uma vizinha vem comer à noite. A cozinha é pequena e o mercado fecha já. A mulher chegou à cidade há poucas semanas. Ela sabe quase nada da língua. Ela tem dinheiro, uma casa e pouco tempo. No mercado, ela vê um vendedor atrás da mesa. O pão está perto do vendedor. A mulher olha para o pão, mas não sabe o seu nome. Ela aponta para o pão e diz: "Por favor." O vendedor pega no leite. Ele põe o leite na frente dela. "Não, não", diz a mulher. Ela aponta outra vez e diz: "Isto, por favor." O vendedor pega numa maçã. Ele põe a maçã ao lado do leite. A mulher olha para o leite e para a maçã. "Não, isto não", diz ela. A mulher aponta outra vez para o pão. Ela pergunta: "Quanto é?" O vendedor olha para o pão e depois olha para ela. Ele espera um pouco e pergunta: "É isto?" A mulher diz: "Sim." O vendedor pega no pão com as duas mãos. Ele fala devagar: "Pão." A mulher olha para a boca dele. Ela repete: "Pau." "Pão", diz o vendedor. "Pão", diz a mulher. O vendedor põe o pão no saco. "Um ou dois?", pergunta ele. A mulher mostra um dedo e diz: "Um." "Um pão é um euro", diz o vendedor. A mulher põe o dinheiro na mesa. Ela conta o dinheiro outra vez e pergunta: "Está certo?" "Sim, está certo", diz o vendedor. Ele põe outro pão no saco. A mulher olha para o saco e diz: "Não, não." "Sim, sim", diz o vendedor. "É para a vizinha." A mulher aponta para o dinheiro e diz: "Quanto é?" O vendedor pega no saco e diz: "Nada." A mulher olha para ele. "Nada?", pergunta ela. "Sim, nada", diz o vendedor. A mulher segura o saco com as duas mãos. "Obrigada", diz ela. "De nada", diz o vendedor. Ela sai do mercado e leva o saco para casa. A rua está perto, mas ela anda devagar. Ela olha para o saco e diz: "Pão." Depois sobe a rua e segura o saco com força. À porta, ela toca e diz: "Pão." A vizinha está no alto das escadas.