Artur Chega Depois Hoje é sábado, e Artur abre a loja às nove. Hoje Teresa vem buscar o relógio do pai. Artur repara relógios, mas chega sempre tarde. Às dez, Artur corre pela rua com uma caixa. A chave está na sua mão. A porta está fechada. Teresa está à porta com o relógio. “Bom dia, Artur.” “Bom dia, Teresa. Cheguei cedo.” “São dez horas.” “Não são dez. O meu relógio diz nove.” Artur olha para o seu relógio. Teresa olha para o relógio da loja. O relógio da loja diz dez horas. “Esse relógio está parado”, diz Artur. “Está parado desde ontem.” “Então não conta.” “Conta a hora.” “Não conta a minha hora.” Teresa dá a chave a Artur. Artur abre a porta e entra. A loja tem uma mesa, duas cadeiras e muitos relógios. Há relógios na parede, na mesa e no chão. “Pode fazer o meu hoje?”, pergunta Teresa. “Posso. É rápido.” “É muito importante.” “Eu sei. O seu pai vem jantar.” “Sim. O relógio tem de estar pronto às seis.” “Às seis está pronto.” Artur põe o relógio do pai na mesa. Abre a caixa com uma chave pequena. Depois olha para o seu relógio. “São dez e cinco”, diz ele. “São dez e vinte”, diz Teresa. “Esse relógio também está errado?” “Não. O meu telemóvel diz dez e vinte.” Artur pega no seu telemóvel. A bateria acabou. “Está sem hora”, diz Artur. “Está sem bateria.” “É quase a mesma coisa.” Artur pega numa roda pequena. A roda cai no chão. Ele olha para a roda. Teresa olha para a roda. “Isso é do relógio?”, pergunta Teresa. “É.” “E agora?” “Agora está no chão.” Teresa baixa-se e pega na roda. “Ponha aqui”, diz Artur. “Você sabe onde é?” “Sei.” “Então diga onde é.” “É aqui.” Artur aponta para um lugar dentro do relógio. Teresa entrega a roda. Artur põe a roda no lugar errado. O relógio começa a fazer um som rápido. “Já está?”, pergunta Teresa. “Já está quase.” “Esse som é bom?” “É muito bom.” O relógio faz o som mais rápido. Artur fecha a caixa. O relógio toca uma hora. Depois toca outra hora. Depois toca muitas horas. “Que horas são?”, pergunta Teresa. “São seis.” “São dez e meia.” “Para este relógio, são seis.” “Hoje é sábado.” “Eu sei.” “E o jantar é às seis.” “Eu sei.” “E agora são dez e meia.” “Eu sei.” Teresa pega no seu telemóvel. “Agora são dez e trinta e cinco.” Artur olha para o relógio do pai. O relógio toca outra vez. “Agora são seis”, diz Artur. “Agora são dez e trinta e seis.” “Este relógio está muito depressa.” “Você disse que estava pronto.” “Está pronto para as seis.” “Não está pronto para hoje.” Artur abre a caixa outra vez. A roda sai e cai no chão. O relógio pára. Teresa olha para a porta. “Artur, a que horas abre a loja?” “Às nove.” “E a que horas chegou?” “Às dez.” “E a que horas fica pronto o relógio?” “Às seis.” “E a que horas são?” Artur procura o seu relógio. O relógio está no chão, junto da roda. “São nove”, diz Artur. Teresa pega no seu relógio e fecha a porta da loja. “Hoje a loja fecha às dez.” Artur fica dentro da loja, com a chave na mão.