A lista debaixo da mesa Leonor está num café perto da estrada. Hoje tem uma reunião importante noutra cidade. O autocarro dela sai em vinte minutos. Ela acaba o café e procura dinheiro. Debaixo da mesa, vê um pequeno papel. É uma lista feita à mão. A lista tem apenas três linhas. Leonor lê: “Mesa sete. Livro. Autocarro dez.” Leonor olha para a sua mesa. Há um pequeno número junto do café. É o número seis. Ela chama o homem do café. “Desculpe, esta é a mesa seis?” “Sim, é a mesa seis”, diz Rui. “Então onde fica a mesa sete?” “Fica ali, perto da porta.” Leonor aponta para o papel. “Esta lista estava debaixo da minha mesa.” Rui pega na lista e lê. “Mesa sete. Livro. Autocarro dez.” “Estava alguém na mesa sete?” pergunta Leonor. “Estava um homem mais velho”, diz Rui. “Saiu há pouco.” “Ele tinha um livro?” Rui olha para a mesa sete. “Sim, tinha um livro grande.” “E deixou alguma coisa?” “Não vi nada”, responde Rui. Leonor vai até à mesa sete. Há um copo de água vazio. Um livro está no chão, junto da mesa. Leonor apanha o livro. “É este o livro?” pergunta ela. “Sim, é esse”, diz Rui. “Ele estava a ler esse livro.” Leonor abre o livro. Dentro está outro papel. O papel diz: “Mala debaixo da mesa.” Leonor baixa a cabeça e olha. Uma mala preta está junto da parede. “Ele deixou a mala”, diz Leonor. “Parece que sim”, responde Rui. “Sabes o nome dele?” “Não sei o nome.” “Ele pagou com dinheiro?” “Sim, pagou com dinheiro.” “Falou sobre o autocarro?” Rui pensa durante um momento. “Perguntou pelas horas.” “Que horas?” “Perguntou pelo autocarro das dez.” Leonor olha para o telefone. Faltam oito minutos para as dez. “Então a última linha é o autocarro.” “Pode ser”, diz Rui. “Mas qual autocarro?” “A lista diz autocarro dez.” “Há um autocarro com o número dez.” “Esse autocarro passa aqui?” “Pára do outro lado da rua.” Leonor pega na mala e no livro. “Vou levar isto até lá.” “E o teu autocarro?” pergunta Rui. “O meu sai depois.” “Talvez a mala não seja dele.” Leonor pára junto da porta. “A mesa é certa. O livro é certo.” “Mas a mala pode ser de outra pessoa.” “Então vou fazer uma pergunta.” Leonor sai do café com a mala. Rui vai com ela até à porta. Do outro lado da rua, um homem procura alguma coisa. Ele olha debaixo do banco e para trás. Leonor levanta a mão. “Desculpe, perdeu alguma coisa?” “Perdi uma mala preta”, diz o homem. “Estava onde?” “Debaixo da mesa sete, no café.” “E o que está dentro da mala?” “O meu telefone, uma camisa e duas cartas.” Leonor não abre a mala. “Também deixou um livro.” O homem toca no bolso do casaco. “O livro também não está aqui.” “Qual era o livro?” “Era um livro velho, com uma linha vermelha.” Leonor olha para o livro. Uma linha vermelha passa pela frente. “Como se chama?” pergunta ela. “Artur.” “E porque fez aquela lista?” Artur olha para o papel. “A minha filha fez a lista para mim.” “Porque deixou a lista debaixo da mesa seis?” “Eu estava primeiro na mesa seis. Depois fui para a mesa sete.” “O café estava na mesa seis”, diz Rui. Artur leva a mão à cabeça. “Deixei uma coisa em cada lugar.” “O autocarro dez está a chegar”, diz Rui. Artur olha para a estrada. “A mala é mesmo minha.” Leonor entrega-lhe primeiro o livro. “A linha vermelha está aqui.” Depois entrega-lhe a mala. “E a mala estava debaixo da mesa sete.” Artur segura as duas coisas. “Obrigado. Pensei que ia perder o autocarro.” A porta do autocarro abre. Artur entra, volta-se e levanta a lista. “Desta vez, a lista vai comigo.”