O mercado No Porto, Marta tem uma cozinha pequena. Chega à cidade há poucas semanas. Sabe poucas palavras, e a vizinha vem comer esta noite. O mercado fecha já. Marta entra com pouco dinheiro e um saco pequeno. Vê comida, água, fruta e pão. O pão está no balcão, perto do vendedor. Marta aponta para o pão. «Isto, por favor.» João pega num copo e dá-lhe água. «Não, não. Isto, por favor.» Marta aponta outra vez. João pega num prato e põe o prato no saco. «Não, não é isso.» João olha para o prato. Marta olha para o prato. Ela aponta para o pão, mas aponta para o lado errado. João pega num saco vazio e dá-lho. «Isto?» «Não.» «Este?» «Não, não.» João ri baixo. Marta não ri. Olha para o dinheiro na sua mão. Depois aponta outra vez para o pão. «Quanto?» João põe o saco vazio no balcão. Pega no pão com a mão. Olha para Marta e fala devagar. «Pão.» Marta olha para o pão. «Pau.» João põe o pão dentro do saco. Depois põe outro pão no saco. «Pão, querida.» Marta olha para a boca de João. Olha para o pão. Diz a palavra mais devagar. «Pão.» João recebe o dinheiro. Conta o dinheiro uma vez. Depois guarda o dinheiro. «Quanto?» João mostra dois dedos. «Dois.» Marta dá duas moedas. João põe os dois pães no saco e fecha o saco. «Obrigado.» «Obrigado», diz Marta. João aponta para a porta. «Fecha já.» «Sim.» Marta leva o saco. Sai para a rua e anda depressa. O saco pesa pouco. Ela olha para o saco. «Pão.» Diz a palavra outra vez, mais baixo. «Pão.» Sobe a rua até à casa. Tem a chave na mão. Abre a porta. A cozinha está pequena e vazia. Marta põe o saco na mesa. «Pão.» A vizinha está no alto das escadas.